Potência orgástica

Se a pessoa se mantém desconectada de seu mundo interno ela se torna ausente de si e vive em função dos outros.

É fácil perceber os efeitos da ausência de si nos relacionamentos. Você já deve ter ouvido frases do tipo: “eu vivo para ele”; “ela é tudo para mim” ou então "não sei viver sem você, vou me suicidar”.

À primeira vista é comovente quando alguém diz que vive por você, mas tudo tem um custo e nesse caso parte da conta é paga com a perda de sua liberdade, pois quando alguém lhe dá tudo exige ainda mais em troca.

Fusão
O maior problema para as pessoas que, baseadas no mito de encontrar sua outra metade – como se as pessoas andassem pela vida aos pedaços – descuidam de si mesmas é o desejo de se fundir com os parceiros pensando que, assim, sua sensação de vazio vai embora. Alguns chegam a acreditar que o amor só é verdadeiro quando ambos sentem-se como se fossem um.

Esse anseio de fundir-se no outro é um arremedo da potência orgástica, isto é, a capacidade de se entregar às convulsões involuntárias do orgasmo e à completa descarga de energia acumulada do organismo.

Em suas pesquisas Reich descobriu que quando se acumula certa quantidade de energia nos organismos de duas pessoas saudáveis, naturalmente seus corpos são atraídos um para o outro, levados à relação sexual e ao orgasmo. Depois a “tensão sexual é substituída por um sentimento agradável” de relaxamento. É quando o “corpo sossega, convida ao sono, e persiste entre ambos (...) um sentimento de ternura e gratidão”.

Entrega
Os atos sexuais de pessoas com potência orgástica são simples, não são perturbados pela ausência de preliminares, tampouco por preliminares intermináveis. As pessoas não se ocupam com performances sexuais e nem com pornografia, a experiência sexual é plena e se basta.

Mas ser potente orgasticamente nada tem a ver com potência eretiva ou ejaculatória. É a habilidade para uma entrega muito mais profunda que pura e simplesmente sexual, típica das pessoas flexíveis. Ninguém rigidamente encouraçado é capaz dessa entrega total.

Potência orgástica é uma função dos organismos humanos que precisa ser recuperada em benefício da saúde total da pessoa e não como estratégia para apimentar a sexualidade.

A impotência orgástica
Quando está, corporal e psiquicamente, despreparada para uma experiência amorosa plena e profunda a pessoa pode colocar muita pressão no relacionamento, faz tentativas de alcançar o estado de plenitude a qualquer custo, exigindo que o relacionamento dê certo, que o sexo seja sempre uma viagem às estrelas ou que ouça sinos toda vez que for beijada.

Eleva a exigência a tal nível que termina por criar situações de enorme desconforto tanto para si como para o outro e o casamento não resiste.
Ver Wilhelm Reich, A função do orgasmo, São Paulo, ed. Martins Fontes, 1992, 17ª ed., pg. 15.

"Tudo é uma questão de manter a mente aberta, a espinha ereta e o coração tranquilo"

Quando se perceber no olho do furacão, no auge de uma crise a resolver, pare, feche os olhos e preste atenção a sua respiração – não controle nem tente mudá-la, apenas observe como o ar entra e sai de seus pulmões; como seu peito e costelas se movimentam.

Relaxe, visualize os pensamentos que lhe atravessam a mente e as sensações que surgem em seu corpo. Não se prenda a nada, apenas observe tudo passar. Essa é uma das formas mais simples de manter-se presente. Ela permite desligar o piloto-automático e desfrutar um momento de descanso das cobranças e pressões impostas de fora, mas também da auto-exigência criada por você mesmo.


Dessa forma sua percepção é poupada dos estímulos excessivos e você recupera parte de seus recursos energéticos e comunicacionais que o estresse cotidiano drena. Inclua essas pausas em seu dia-a-dia e verá que um breve descanso torna seus pensamentos mais claros e a escolha do que manter e o que mudar na vida se tornará mais coerente.

Logo você vai encontrar algumas respostas às suas inquietações.
Através do contato com seu mundo interno você consegue reconhecer suas necessidades e desejos e não fica tão à mercê do que é imposto pelos outros, pois além de ser um bom método de autoconhecimento, o contato consigo mesmo previne a projeção de sua segurança e auto-estima nos relacionamentos, aquisições materiais ou em qualquer coisa fora de si.

Ajuda também a evitar que oscile entre um estado de ânimo e outro, mudando de casa, de emprego, de país ou de relacionamento procurando algo que lhe faça sentir-se completo.
Manter-se presente é um exercício que, com um pouco de dedicação, se torna um estado de espírito. É o caminho para a maturidade afetiva e facilita a vida de quem busca a interdependência e a autonomia nos relacionamentos.

Auto-regulação humana

Sentir envolve o corpo e a mente. Você está sentindo quando percebe suas sensações corporais e ao mesmo tempo pensa e visualiza imagens que se harmonizam com seu estado interno. Há trabalho, mas não esforço, note como você tem mais criatividade num lugar aprazível e que lhe faz sentir-se bem.

Às vezes, conseguir perceber as emoções promove em você um forte sentimento de orgulho. Outras vezes, quando percebe sua força e disposição para mudar o que está inadequado na sua vida profissional ou amorosa, sente uma profunda gratidão e alegria.

Estamos fazendo essa distinção porque, embora os dicionários coloquem emoção e sentimento como sinônimos, eles não são a mesma coisa. No dia-a-dia percebemos emoções e sentimentos em bloco, não conseguimos medir se estamos só emocionados ou dando valoração sentimental ao que percebemos dentro de nós. Contudo, para a reflexão que queremos fazer aqui é importante compreender esses processos separadamente.

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As emoções são nossos reguladores naturais. Diante de qualquer dificuldade, perigo ou necessidade nosso organismo aciona automaticamente várias reações até nos sentirmos confortáveis novamente.

Quando você era bebê e sentia fome chorava para chamar a atenção de alguém que o livrasse daquele desconforto. Chorar foi a primeira forma de diálogo que você estabeleceu com seus pais e ficou associado ao alívio e apoio que eles podiam lhe proporcionar. Conforme crescia você chorava sempre que seu nível de bem-estar físico ou psicológico ficasse desequilibrado e eles passaram a compreender do que você precisava quando chorava determinada forma.

Ao longo da vida você conheceu outras pessoas e teve mais experiências. Seu choro passou a ser associado também a outras emoções, como tristeza, alegria, raiva etc. Mesmo hoje, quando você se emociona, fica totalmente mergulhado em suas sensações corporais e os outros podem ver que está perturbado.

Emoções

Durante uma crise a sensação de bem-estar geral fica ameaçada e o organismo inicia o processo de auto-regulação. Quem prestar atenção em alguém estressado verá o rubor em seu rosto; pupilas dilatadas e ouvirá o tremor de sua voz que indicam que algo doloroso se passa dentro dele. Não se pode adivinhar o que é, mas os sinais de desconforto são visíveis, mas para terem certeza disso é preciso que confirmemos verbalmente o que nos atormenta. Ocorrem conflitos entre os casais quando um julga que pode adivinhar o que o outro está sentindo e fica pior quando, baseada numa má interpretação da linguagem não-verbal, a pessoa teima que o outro está sentindo algo mesmo quando ele afirma não estar.

Sentimentos

Já os sentimentos são a autopercepção. Tem a ver com a relação que você estabelece consigo mesmo. Eles surgem quando você toma consciência das emoções corporais e variam conforme o momento e a situação que você está atravessando. Assim, quando você sente amor, raiva ou medo em relação a alguém isso tem mais a ver com seu estado interno do que com o outro em si. Quando você consegue perceber, identificar e dar sentido ao que está acontecendo dentro de si se comunica e relaciona melhor com as outras pessoas.