Ter, elas têm, só que não conseguem demonstrá-los. São pessoas que raramente choram e quando o fazem não conseguem explicar o motivo das lágrimas nem estabelecer conexão entre seu choro e os fatos da vida.
É como se, na pessoa com alexitimia, houvesse se rompido a ponte entre as emoções e o significado delas. Esse funcionamento complica sua vida, pois coisas simples tornam-se sensações físicas tão desconfortáveis, e desencadeiam tamanha ansiedade, que ela passa a evitar ao máximo quebrar a rotina tornando sua vida social muito limitada.
Por exemplo, aquela taquicardia que todo mundo sente quando está apaixonado e que é sinal de que alguma coisa boa está acontecendo, pode ser entendida como sintoma, pois ela não sabe a diferença entre estar apaixonada e doente cardíaca. Outras vezes se assusta imaginando que seu coração vai bater até explodir.

Homens de lata
Mulheres de plástico
Para alguém com alexitimia os próprios sentimentos não são claros; não sabe lidar com situações conflitantes nem negociar; não suporta discussões para resolver problemas e se for chamado para discutir a relação muda de assunto ou se isola, portanto para ele namoros e casamentos são difíceis e desgastantes. Seus parceiros ficam desolados com a relação e sentem que se apaixonaram por alguém insensível e frio, um coração feito de pedra.
Mas não se trata de má vontade ou desinteresse em resolver a situação, quando eles olham para dentro de si em busca de ternura, confiança, esperança e amor, ou ainda, tristeza, raiva e medo se deparam com um imenso vazio.
O que significa que, talvez, a pessoa que atravessa crises no relacionamento aparentando frieza e distanciamento, na verdade, precise de mais ajuda para compreender suas emoções e expressar seus sentimentos.
Não há notícia de que essas pessoas nasceram assim. O mais provável é que, enquanto eram crianças, não formaram as conexões neuronais necessárias para compreender suas sensações corporais e expressa-las, pois não foram estimuladas com doses adequadas de comunicação verbal.
Além disso, dedicar pouco tempo para conversar com as crianças pode ocasionar prejuízos também para sua auto-estima. Mas não podemos afirmar que todas as dificuldades amorosas do adulto derivem de disfunções neurológicas ocasionados por falta de contato afetivo em seus primeiros anos de vida. Cada caso é um caso e é assim que deve ser considerado.