
Nos primeiros dias de internação Laura recusou o serviço psicológico.
Em nosso primeiro contato, aproximadamente dez dias após sua internação, iniciou dizendo que estava bem até o falecimento de seu pai, há três meses atrás. Disse que dava-se bem com ele, “melhor que com minha mãe”.
Passou a relatar em seguida sobre seu trabalho - vendedora, a mesma profissão do pai - e de como trabalhar “na rua”, “ver gente” representa liberdade para ela.
Laura explica que só há 4 anos “perdeu a virgindade”, “era um homem de 60 anos, ele era velho, mas, como foi bem instruído, fez a coisa direito; tem mulher que acha que sexo é só isso, estão redondamente enganadas, sexo é muito mais”.
Disse também que quando as pessoas perguntavam sobre seu estado de saúde, respondia: “estou bem. Eu pensava que esta coisa nunca ia se manifestar, como é que eu ia advinhar?”.
Em seguida manifestou preocupação com seus relacionamentos futuros: “como é que eu vou fazer agora? eu não fico sem isto, eu queria encontrar alguém. As pessoas aqui (outros pacientes do andar) só pensam em sexo, só querem alguém para transar, eu quero ver TV junto, cozinhar para alguém, entende? eu morei com uma pessoa em São Vicente por três anos, eu ganhava bem, pagava o aluguel, a pessoa ganhava três vezes menos, en,tão eu sustentava a casa.
Quando eu fiquei doente, com herpes, saia muito pus, o médico disse que eu teria que trocar de camiseta oito ou dez vezes por dia, senão ia grudar... era uma dor.
Eu fiquei desempregada nessa época, não tinha grana pra comprar os remédios, nem pagar o aluguel, aí eu disse ‘tô indo pra São Paulo, aqui não dá mais’ a pessoa ficou, disse que lá tava bom. Aí a gente se separou.
Eu tive outros relacionamentos assim, mas sempre dava problema, outro caso que eu tive tinha filhos adolescentes que não me aceitaram, mesmo assim eu ligava todo dia 24 e 31 de dezembro pra cumprimentar, um dia o moleque mal criado desligou o telefone na minha cara, aí não liguei mais, eu tenho um limite pra agüentar, é mais ou menos três anos, depois chega, entende?”...
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