Muitas décadas após o Manifesto SexPol de Wilhelm Reich, no início do século 20, orgasmo, direitos sexuais e reprodutivos e prazer ainda permanecem misteriosos a muitas mulheres.
Pode por a mão
Ainda hoje as meninas são desencorajadas a tocar e explorar a própria genitália. Poucas mulheres adultas compreendem o funcionamento vaginal e processo de lubrificação.
Quase nenhuma sabe descrever as diferentes texturas dos tecidos que compõem seu órgão genital. Aliás, para muitas, masturbação é uma idéia repugnante ou permitida somente a pessoas solteiras.
O padrão de relacionamento de nossa cultura exalta o orgasmo feminino e o exige para a manutenção dos relacionamentos de casal, quem de nós jamais ouviu que quando um homem não encontra em casa, vai buscar na rua? Mas como ter orgasmo se sequer se conhece o próprio corpo?
O desejo e o desempenho sexual da mulher permanecem objetos, meros participantes de uma ação que não pertence a ela como um direito garantido ao ser humano, mas como dever conjugal para conservar o namorado, o marido, o amante.
Obviamente dar prazer ao homem, através de orgasmos fingidos, não é e nunca foi garantia para a manutenção do relacionamento, menos ainda da vida feliz e satisfatória.
Em benefício das mulheres é fundamental que elas aceitem sua parte de responsabilidade pelo próprio prazer.
Parte dessa responsabilidade é mudar a atitude sexual e, em lugar de receber um pênis, passar a envolvê-lo e estimula-lo com a musculatura vaginal. O modo como a mulher se envolve na experimentação do prazer a orientará até seu orgasmo.
Sabe-se que alguns procedimentos da vegetoterapia previnem a incontinência urinária e auxiliam a flexibilização da couraça pélvica.
Falar (também) pode
Outro aspecto importante: o casal precisa estabelecer uma comunicação clara e focada a respeito do que deseja, gosta ou necessita quando vai para a cama.
Só é verdade que “entre quatro paredes tudo é permitido”, quando a permissão é dada pelos dois, a partir do desejo, curiosidade e satisfação de ambos – ou ambas.
Lembre-se, fazemos amor com outra pessoa e não com um órgão ou parte do corpo. A melhor entrega é aquela que é plena, baseada em confiança e troca. Mas não existe troca sem respeito pela dignidade alheia.
Comunicação insatisfatória, excesso de ciúme, descontrole emocional, desqualificação são péssimas preliminares.
Entretanto, ainda assim, relacionamentos nocivos são mantidos e muitas mulheres pensam que se fossem melhores amantes, talvez, pudessem salvar o casamento.
O autoconhecimento corporal e psicológico obtido através da flexibilização das couraças ou participação em Grupos de Movimento podem ajudar a reorganização da vida sexual das mulheres, independente de sua idade e peso.
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