Exorcizando o fantasma da traição

"Fui traída pelo meu marido. Descobri, há 4 meses, da pior forma possível: ela veio à minha casa e me contou. Meu mundo caiu... Ele pediu perdão, disse que estava muito arrependido, que isso só o fez perceber o quanto ele me amava... Compreendi-o. Mas, o tormento da traição me segue como uma sombra... ainda luto todos os dias para enfrentar a dor, a tristeza, a decepção, a mágoa, retirar o sentimento de vingança da minha mente, afugentar todos os pensamentos que doem no meu coração, que foi MUITO machucado".


Este trecho é do comentário de uma leitora a um de meus artigos. Tomei a liberdade de expô-lo, porque os sentimentos que ela descreve são comuns a todas as pessoas que passaram pela traição.


Independente do grau de envolvimento ou do tempo do relacionamento, traição dói. Entretanto, pior é o luto que se segue à descoberta. E - ainda que nos esforcemos para superar essa fase com dignidade e calma -, sequelas como raiva, tristeza, baixa auto-estima e ressentimentos teimam em nos minar as forças. Mas chega a hora em que é preciso virar a página.


Sacuda a poeira
* O primeiro passo é parar de alimentar o fantasma - Guardar bilhetes encontrados em bolsos ou porta-luvas, mensagens da outra pessoa descobertas na caixa de entrada, o histórico de ligações no celular, objetos, presentes ou quaisquer objetos que lhe lembrem que você foi traída/o são maneiras de perpetuar a tortura e reviver o momento fatal da descoberta.. Livre-se disso. Libere espaço para o novo.


* Mude seus pensamentos - Pare de imaginar como seriam as coisas "se" você fosse diferente, "se" fizesse as coisas de outra maneira, "se" não tivesse envelhecido, engordado, trabalhado ou se dedicado tanto aos filhos.


Lembre-se que o desejo sexual da outra pessoa pertence a ela. Somos convidados a desfrutá-lo, mas não somos proprietários dele. Muitas mulheres e homens com corpos perfeitos, com desempenho sexual bastante satisfatório, dedicados ao relacionamento e afetuosos também são traídos.


* A verdade dói, mas liberta - livre-se das fantasias de "como" eram os encontros, se trocavam juras após o sexo, se comentavam sobre você e seu desempenho sexual e tudo o mais que lhe venha à cabeça. Você jamais saberá – de fato – o que acontecia naqueles encontros a menos que conversem sobre isso.


Para entender o porquê da traição seria necessário sentir e pensar como o outro. Isso não é possível, o mais próximo de saber os motivos do outro é o diálogo. Uma conversa assertiva, com objetivo claro: recuperar o relacionamento ou dar um basta a ele. Repetir acusações e rememorar os fatos incessantemente não é, nem de longe, o mais adequado.


Dê a volta por cima
Livre-se da culpa e do pensamento que foi total e unicamente responsável pelo que lhes aconteceu. A responsabilidade cabe aos dois.


Da mesma forma o esforço para recuperar a confiança deve ser a soma da energia de ambos. Se apenas um se ocupa disso é sinal que seu esforço não está valendo a pena. Portanto, talvez seja do relacionamento que você precisa se libertar.


No próximo artigo vou me basear na teoria reichiana para explicar o porquê da infidelidade nos relacionamentos. Por hora considere que o passado já passou. Se aproprie dessa experiência, agora você sabe mais do que antes e isso lhe confere mais poder e melhor capacidade de escolha.


Livre-se das âncoras que lhe prendem a uma experiência ruim. Você, e apenas você, pode se libertar, escolha amar e ser feliz novamente. Confie que você pode, e se ficar difícil busque ajuda nos grupos de movimento expressivo. Entre em contato.